sábado, 2 de maio de 2015

LUIZ CARLOS CATTACINI GELLI - O VINHO DO VULCÃO


Confesso que conhecia vinhos do deserto, da montanha, de altitude, de gelo, da caatinga e até de cavas submarinas. Mas vinho de vulcão, não!

Acabo de chegar da Sicília, a maior ilha do Mediterrâneo – aquela que fica na pontinha da bota italiana –, onde, junto com outros sommeliers, visitei vinícolas da DOC Etna, aos pés do maior (3.300 m) e mais ativo vulcão da Europa. Não é à toa que a produção de seus vinhedos, a exemplo das demais citadas, é conhecida como “viticultura heróica”.

A DOC Etna foi reconhecida em agosto de 1968, sendo uma das primeiras regiões vinícolas italianas a ostentar este título. Muitos a definem como uma ilha dentro da ilha, por causa de suas peculiaridades microclimáticas, bem diferentes das demais regiões sicilianas.

Os solos são evidentemente de origem vulcânica, com vinhedos localizados principalmente entre os 300 e 900 m de altitude, chegando excepcionalmente a 1.100 m, onde a amplitude térmica é de 30ºC.

(Foto: Luiz Carlos Cattacini Gelli)

Os solos são evidentemente de origem vulcânica com vinhedos nas vertentes do majestoso vulcão, localizados principalmente entre os 300 e 900m de altitude, chegando aos 1.100m em algumas exceções, onde apresentam grande amplitude térmica que chega a 30ºC.

Outra característica interessante é a proximidade com o mar, o que resulta numa influência marítima sobre vinhedos. É quase o mesmo que se sucede com o Vinho Verde, só que plantado num vulcão!

Os vinhos são produzidos a partir de uvas autóctones. Entre cerca de 60 varietais, podemos destacar os tintos Nerellos, Mascalese, Cappuccio e Mantelato, Frapatto e o Nero D’Avola; e os brancos Caricante, Cataratto, Grillo, Minella Bianca e Insolia.

A sensação de mineralidade, a acidez e, no caso dos tintos, a pouca cor (como um belo Pinot Noir, para os amantes desta cepa), são os principais descritores dos vinhos desta singular DOC. Ao naso, como diriam os italianos, os brancos apresentam notas florais e cítricas, enquanto nos tintos encontramos as frutas vermelhas maduras, além de algumas flores.

Nem toda área que circunda o vulcão se presta aos vinhedos. A parte ocidental não possui vocação para tal. Nas demais localidades são produzidos belos tintos, brancos, rosés e espumantes. Vale conferir.

São vinhos que se casam muito bem com a culinária local rica em peixes, frutos do mar, queijos e embutidos. Além da doçaria siciliana, que se entende melhor com as Malvasias delle Lipari e os Marsalas, outros capítulos à parte.

(Foto: Luiz Carlos Cattacini Gelli)

Seguindo a orientação de um produtor, experimentei um tinto de Frapatto com sushis e sashimis e consegui perceber tudo que me foi prometido: uma experiência única e inesquecível. O problema agora é onde encontrar um Frapatto por aqui? Penso que vou ter de voltar à Sicília muito antes que pensava.

Saúde e paz!


Luiz Carlos Cattacini Gelli é sommelier e empresário. Em 2010, fundou a Cattacini Vinhos, cuja proposta é produzir e comercializar vinhos nacionais exclusivos.

Os vinhos Cattacini podem ser entregues em todo o Brasil através da importadora ENOEVENTOS: www.enoeventos.com.br/importadora/

Contatos:
Facebook: Cattacinivinhos
gelli@cattacini.com.br

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